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easy-peasy-lemon-squeezy

Cheguei a dizer a um amigo que The Hangover era “a melhor comédia do ano”, mas logo em seguida, chupando um chicabon num momento de introspecção, me imaginei na mesma grande e confortável sala de cinema e com a mesma enorme e satisfeita platéia assistindo não ao filme do Todd Phillips e sim a In The Loop, e logo percebi o quanto fui leviano. Claro, The Hangover is a hell of a movie, mas se a situação descrita fosse mesmo possível de se concretizar e o carinho e a atenção dados ao Zach Galifianakis fossem transferidos sem perda de entusiasmo para Peter Capaldi, duvido muito que eu não sairia do cinema profetizando um clássico.

Ok, não posso deixar de creditar o Mr. Chow, de longe o personagem mais engraçado dos dois longas, mas como suas referências são puramente visuais e ninguém mais precisa saber que deve assistir The Hangover, prefiro deixar registrado toda a finesse e elegância de Malcom Tucker, o responsável pelos melhores xingamentos da história da comédia britânica desde Rowan Atkinson com seu Blackadder. Look:

Classe!

Agora, se você é um bom rapaz (ou uma boa moça) e se interessou pelo filme, corra para baixá-lo porque ele dificilmente descerá a linha do equador. After this, se ainda te interessar o maravilhoso mundo da falta de caráter, traição, sacanagem e negociatas às escuras dos bastidores da política britânica, baixe a série da BBC do qual ele foi adaptado: The Thick of It, e logo em seguida me empreste, por que ando me coçando pra assistir. Segundo fontes seguras, a genialidade está mantida, e os insultos são ainda mais absurdamente psicóticos.

Escrito por Rudá A.

agosto 28, 2009 em 7:25 am

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fishing with john

Foi assim: há um par de meses estava curiando a coleção da Criterion, como sempre faço ao menos uma vez por semana, quando me deparei com o DVD de Fishing with John, uma espécie de seriado do John Lurie realizado nos anos 90. Depois de procurar sem sucesso ao menos um torrent do dito, deixei pra lá e me contentei com o fato de que em alguns anos ficaria rico o suficiente para poder comprar qualquer coisa com qualquer frete que pudessem cobrar nesse mundo. “Como a vida – ah, a vida! – é uma caixinha de surpresas”, descubro hoje, sem querer, que TODA a série está no Youtube há mais de um ano – ilegalmente, claro. Mas está lá.

Ao todo são seis episódios, cada um com meia hora de duração e um convidado. Estes são todos os comparsas esquisitões do Lurie: caras como Tom Waits, Jim Jarmusch, Willem Dafoe, Dennis Hopper e Matt Dillon. A graça do programa, ou boa parte dela, está no fato de que nenhum desses dudes conhece nada, absolutamente nada de pescaria. A narração a lá Discovery Channel de Robb Webb, então, só ajuda na concepção absurda da coisa. Pra entender direito, basta assistir o primeiro capítulo da série, com o Jim Jarmusch, que exemplifica bem tudo que eu falei, principalmente na cena em que o próprio tenta pegar um tubarão com um pedaço de queijo e uma pistola. É sério:

Todos os episódios da série aqui.

Escrito por Rudá A.

junho 10, 2009 em 4:06 am

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tô fora

Concordando com o Alexis, o melhor livro que eu não-li este ano foi Leite Derramado, do Chico Buarque. E, de certa forma, o completando, o melhor filme que eu não-vi foi Budapeste, adaptação do livro homônimo do… Chico Buarque. Como é bom não-ver este filme! Entrar no corredor do cinema e sequer encontrar seu cartaz, rir de tamanho esnobismo do Cinemark e virar para a sala onde passava O Exterminador do Futuro 4. Que maravilha não-ver Leonardo Medeiros interpretando Leonardo Medeiros! Ai ai, que maravilha esse cinema nacional!

Escrito por Rudá A.

junho 6, 2009 em 12:17 am

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“i’ve still got the dimple, and in the same place”

São quatro as adaptações para o cinema da peça The Front Page, de Ben Hech e Charles MacArthur: A primeira – e homônima – de 1931, foi dirigida por Lewis Milestone e de cara abocanhou os  Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator para Adolphe Menjou, iniciando uma longa história de amor de Holywood por esta comédia; A última, Switching Channels, de 1988, foi dirigida por Ted Kotcheff e trouxe um elenco de *ASTROS* dos anos 80: Kathleen Turner, Burt Reynolds e Christopher Reeve. Ok, esta pode ser o patinho feio do quarteto. Além da óbvia inferioridade em relação às três obras anteriores, ainda se diferencia por apostar numa adaptação mais “livre” da estória, passando-se inteiramente numa estação de televisão, e não na habitual redação de jornal. Mesmo assim, ainda é um filme divertido, como seus similares dos anos 80.

Mas tá, adentremos no assunto principal – que são as duas versões mais conhecidas da fatídica: His Girl Friday, de 1940, dirigida por Howard Hawks, e a também The Front Page, de 1974, dirigida por Billy Wilder. Já comentei por aqui sobre esta última, mas na época não sabia da existência das outras adaptações e de toda a história que as envolvem. E este é um ponto importante pra se entender o filme do Wilder. Como (acho) que falei anteriormente, o que mais impressiona nesta adaptação é a sua… hmm… atemporalidade. O que torna o filme do Wilder tão genial quanto o do Hawks é a sua fidelidade total com o timing da comédia da peça original. Falo isso porque em plena década de 70 o cinema já era moçinho o suficiente pra não usar as velhas fórmulas dos filmes dos anos 30 e 40. O mundo, ó!, já vinha sofrendo influências do realismo europeu, do humor despudorado do Monty Python e até mesmo das comédias de Woody Allen e Mel Brooks. Não era fácil dar as costas para tudo isso e arriscar-se numa estória nitidamente fora de época.

A sorte é que Billy Wilder é um diretor genial, um cara old school. E pra ele não restavam dúvidas que a escolha certa seria engatar a ré e adptar The Front Page da maneira mais fiel possível. Por isso, nada mais natural que a escolha dos protagonistas recair sobre Jack Lemmon e Walter Matthau, seus atores preferidos, e, já na época, cinquentões. Os dois eram um dos poucos que conseguiam resgatar o humor nonsense de tempos passados e exagerar nas piadas e expressões sem parecerem ridículos ou forçados. E não há nada mais divertido que essa dupla quando está inspirada. Das não-sei-quantas parcerias deles com Wilder, esta é, de longe, a mais feliz. Seus papéis em The Front Page parecem ter sido escritos por encomenda, e mesmo que um dia eles tenham pertencido à Cary Grant e Rosalind Russell, não seria absurdo admitir preferência pela dupla wilderana.

Bueno, falemos da versão que tenho menos o que falar, mas não porque ela é a pior, calma! Deixa eu contar. Tenho pouco o que falar da versão de Howard Hawks porque, como posso dizer?, ela é perfeita. Em todos os sentidos. Grant, Russell, Hawks… Deus! Me sinto até meio abobado de tentar escrever algo sobre. E, falando sério, criei até vergonha da minha versão que não havia assistido His Girl Friday. É, não vou falar nada sobre, não. Vai lá e assiste, você. Hunf! Filme obrigatório.

*

PS: Fazendo pesquisa de campo descobri que His Girl Friday está TODO no Youtube. E nem é ilegalmente, com aquelas 20 partes divididas em 10 minutos cada. É o filme completo, de uma vez só, sem intervalos comerciais, e com opção de imagem em High Quality. De forma legalizada, pois sim. Duvida? Vê aí. Mas só veja pra tirar a dúvida. Depois trate de alugar e assistir no conforto de sua cama, de frente pra televisão. Filme não foi feito pra se ver no computador, meu filho! Se liga.

Escrito por Rudá A.

maio 28, 2009 em 7:12 am

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i have to fly to belém

Um amigo meu, o François, acha Notorious (ou Interlúdio,  raro título nacional que preserva a chiquesa do original) o melhor filme da primeira fase de Hitchcock em Hollywood (1940-1950). Hei de concordar. Ainda mais quando recordo que o nosso querido Brésil é pano de fundo para a trama em questão. Mas não passa disso mesmo: pano de fundo. Evidente que o Cary Grant, a Ingrid Bergman e o próprio Hitchock sequer pisaram no Rio de Janô. E por essa esnobada, talvez, tenham conseguido manter a classe e a elegância de sempre. Até quando foram obrigados a decorar frases como essa:

E essa:

E essa:

E essa*:

Ou até mesmo essa:

Arrepios!

Para terminar, uma homenagem ao grande Mr. Ribeiro, o único personagem brasileiro gente-como-a-gente (Dr. Julio Barbosa não conta, ele é high society) que ganhou citações e até mesmo uma fala no filme de Hitchcock. Repare, ele também está na foto de cima,  puxando educadamente a cadeira para Mrs. Bergman se sentar. Vai que é tua, Ribeirão!!!

* As legendas dessa foto estão em português porque o tradutor-estagiário cometeu a infração de confundir a capital do Pará com Berlim nos english subtitles. Mas não se aflinjam, belenenses, o Cary Grant falou que ia à Belém do Pará sim, e não pra Berlim.  Força!

Escrito por Rudá A.

maio 12, 2009 em 6:08 am

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um parágrafo

Ia dizer que as duas semanas longe foram pra pôr os deveres em dia, mas nah, foi pura preguiça mesmo. E pra não deixar que um bocado de coisa boa que vi durante esse tempo passe em branco, segue um resumão de tudo que vale a pena ser elogiado – em um parágrafo, claro:

Sinédoque, Nova York: é um filme tão genial que eu não tenho colhões suficientes pra escrever sobre (Estou dando essa desculpa demais?). É a maluquice de Charlie Kaufman elevada à quinta potência, e desta vez sem nenhum Gondry ou Jonze pra por um freio nas ideias esquisitas do camarada. E quem não gostou, repare você, deu essa mesma desculpa pra se justificar.

Vestida para Matar: depois de assistir ficou claro como o dia que o Brian de Palma é melhor quando é trash. Dublê de Corpo continua encabeçando a lista do homem, mas esse não fica muito atrás não. PS1: Os Intocáveis é hors-concours; PS2: Ainda não vi Sisters nem Obsession.

Maria Antonieta: é um dos melhores filmes da década e ponto final. Kirsten Dunst plus Jason Schwartzman plus Asia Argento fazendo miau já eram motivos suficientes para eu achar isso, e com mais uma revisão, na qual descubro uma Molly Shannon e até um Mathieu Amalric ali no meio, tudo ficou mais evidente…

Cape Fear: o original é bem melhor que sua famosa refilmagem, que já é boa, por duas razões bem simples: 1) Robert Mitchum, que é o cara mais assustador que o cinema já viu; e 2) Gregory Peck, Polly Bergen e Lori Martin (aka Família Bowden), que, puta que o pariu!, vai ser um povo bonito assim lá na Suécia! Se o J. Lee Thompson queria a família mais bonita e perfeita ever ele conseguiu…

Charada: Quero ter filmes inéditos do Cary Grant e da Audrey Hepburn pra assistir até morrer. O que fica cada vez mais difícil de desejar à medida que entro na locadora e não consigo sair sem um ou outro. Da última vez saí com os dois. Juntos. Hmmmm. Mas, sério, Charada é um filme muito bom que, além dos citados, ainda conta com o Walter Matthau e com o Stanley Donen no comando. Trust me.

Escrito por Rudá A.

maio 4, 2009 em 6:05 pm

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você quis dizer: seios

Continuando no assunto Michael Caine, não sei se você reparou, mas prestando muita atenção nas fotos acima dá pra ver o cara e o Denholm Elliot em meio às simpáticas senhoritas. O ensaio é da edição de outubro de 1969 da Playboy, quando ainda existiam campanhas publicitárias de respeito. O produto em questão é o filme Assim Nascem os Heróis (Too Late The Hero).

Via Design You Trust.

Escrito por Rudá A.

abril 19, 2009 em 9:19 pm

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como possuir lissu

Como Possuir Lissu (Gambit), de Ronald Neame.

Em um bocado de blogs gringos corre a notícia de que os irmãos Coen escreveram o roteiro para um remake de Gambit, filme de 1966 com, that’s right!, Shirley MacLaine e Michael Caine. Mas e a fonte? Águas de Lindóia. E apesar de por enquanto ser só um boato, para aumentar o meu desespero, a Wikipedia ainda espalha a conversa com os seguintes dizeres:

"A remake of Gambit has been mooted for several years. Joel and Ethan Coen completed a screenplay which was expected to be released in 2009. However Colin Firth, who was rumoured to star as Harry Dean, said in September 2008 No! It’s a complete lie. It’s been on IMDB and just sitting there and The Coen brothers have written an absolutely brilliant script. Other personnel lined up for the remake included Hugh Grant, Ben Kingsley, Sandra Bullock and Jennifer Aniston."

O elenco é bem desanimador. Mas o filme original é tão bom que a notícia de que poderá ser feito um remake com roteiro dos Coen me faz relevar esse detalhe. E se for verdade toda essa história, que demore mais um pouco pra ser realmente confirmada e acabem esquecendo todos os nomes citados, porque se não, no fim das contas, vai sobrar só mais uma refilmagem idiota para dar raiva aos bons. Com a recente notícia de que Joel e Ethan vão mesmo é refilmar o faroeste Bravura Indômita, aumentam as possibilidades de adiarem o fatídico projeto pra 2011, como consta no querido IMDB.

By the way, tudo isso foi pra dar uma idéia do quanto bom é Gambit. Bom a ponto dos irmãos Coen serem fanzetes e escreverem roteiro para uma refilmagem. E se essa ainda não é uma razão suficientemente boa pra você querer vê-lo, os dois sujeitos da foto haverão de ser. Porque, afinal, depois de Marilyn e Audrey não havia em Hollywood mulher mais bonita que a Shirley MacLaine (Havia?). Michael Caine, então, nem hesito em dizer que é favoritão da casa, e que foi sim o principal motivo por ter locado Gambit sem pensar duas vezes. Diferente do que andou dizendo atualmente, aliás, é um dos poucos atores que não vê sua carreira "desaparecer aos poucos", uma vez que a maioria de seus filmes antigos vão sendo refilmados e estragados por gente menor(pessoas sem o charme necessário pra igualar o padrão Caine, por assim dizer). Slap in your face, Jude Law!

Pra terminar com a extensa lista de motivos de Gambit ser obrigatório, a culpa final vai pro roteiro assinado por Jack Davies e Alvin Sargent (baseado em estória de Sidney Carroll), já que as manjadas reviravoltas finais dos “filmes de roubo” não são o único e nem o principal motivo de sua, éé, genialidade. A virada aqui acontece nos minutos iniciais de projeção, quando um truque aparentemente besta dá toda a graça necessária pro restante da história. Claro, no final ainda vão acontecer dez reviravoltas por minuto, mas nenhuma delas tão inteligente quanto a primeira. Consigo ouvir daqui a gargalhada dos irmãos Coen nessa parte do filme. Juro.

Escrito por Rudá A.

abril 14, 2009 em 7:19 am

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encurralado

Encurralado (Duel), de Steven Spielberg.

O jeito é cortar o orçamento dos filmes do Spielberg dos usuais 100 milhões ou mais pra um décimo disso, que tal? Basta ver seus três primeiros trabalhos – Encurralado, Tubarão e Contatos Imediatos de Terceiro Grau – e compará-los com os três últimos – Indiana Jones, Munique e Guerra dos Mundos – pra perceber a disparidade na qualidade das obras. Claro que há aquelas exceções todas entre os dois trios, Rubens, mas a regra é basicamente essa mesmo: dinheiro demais atrapalha – nesse caso, claro.

Veja o exemplo de Encurralado. Seu projeto, entregue às mãos de Spielberg em 1971, tinha o prazo de 14 dias de filmagem, uma semana para edição e um orçamento de pouco MENOS de 500 mil dólares. A exigência cobria o tempo necessário para sua estréia na televisão, a um mês dali, no programa World Premiere Movie, da rede ABC. Se fosse o Godard, daria um chilique. Mas para o Spielberg nenhuma dessas dificuldades foi desculpa para não entregar o material antes do prazo. Como o fez, aliás. E seu sucesso entre público e crítica foi tão grande que, após o programa, os produtores decidiram levar a história ao cinema, numa versão estendida.

É essa versão de Encurralado que o mundo hoje conhece como o primeiro trabalho de Spielberg na tela grande. Alcança o posto de “filmaço” porque vai muito além da simples sinopse "um caminhão perseguindo um carro" e, sem medo de cair na semiótica de crítico besta, carrega um número incrível de significados e representações dignas de um épico (ui). Não preciso ficar explicando porque está tudo lá, e caso você decida alugar o DVD do filme, está muito bem explicado nos dois ótimos documentários que o acompanham.

Escrito por Rudá A.

março 6, 2009 em 5:55 am

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alice braga por michael elins:

Da Vanity Fair de alguns verões atrás. Porque relembrar é viver!

Escrito por Rudá A.

fevereiro 27, 2009 em 5:18 pm

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